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Quinta-feira, 18 de julho de 2024

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Presidente da Agrishow critica medidas do governo sobre o etanol

O presidente da Agrishow - Feira Internacional de Tecnologia Agrícola - criticou durante a abertura do evento nesta segunda-feira (29) em Ribeirão Preto (SP) os atuais incentivos do Governo Federal para a produção de etanol no país. Maurílio Biagi classificou o aumento no percentual de etanol na gasolina como ‘vergonhoso’. “O aumento da mistura de 20% para 25% de etanol na gasolina é visto como uma maravilha. Só não disseram que antes a quantidade era essa e ela foi reduzida. Isso é uma vergonha, uma burrice do governo não ficar incentivando a produção de etanol para evitar esse déficit de 8 milhões de dólares para a Petrobras no primeiro trimestre”, afirma.


A medida a qual Biagi se refere foi anunciada pelos ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Edison Lobão, de Minas e Energia, e passa a valer a partir de 1º de maio através de medida provisória.

Para a renovação de canaviais e plantio de novas áreas, o governo vai liberar este ano, dentro do programa Prorenova, uma linha de crédito de R$ 4 bilhões. A novidade é que os juros caíram de 9,5% para 5,5% ao ano. Para a estocagem de etanol, a linha de crédito é de R$ 2 bilhões. Os juros também diminuíram de 8,7% para 7,7% ao ano.

Sobre os financiamentos de estocagem de produto e expansão do plantio, Biagi diz que a grande mudança está na redução dos juros. O benefício, no entanto, não deve chegar a quem realmente necessita do incentivo, segundo ele. “Só pega financiamento quem não precisa. As usinas menores, que precisariam desses financiamentos, acabam perdendo na concorrência com grandes empresas”, diz. “O único incentivo do pacote, na verdade, foi a redução tributária. A desoneração fiscal é o único ganho real desse pacote, de R$ 0,12 por litro de etanol produzido”, conclui, referindo-se à nulidade das alíquotas do PIS e do COFINS, impostos que financiam a seguridade social.

Mais críticas

Durante a coletiva, o presidente da Agrishow criticou também a problemática da logística brasileira na agricultura, e disse que somente com o apoio da iniciativa privada o problema pode ser solucionado. “A iniciativa privada pode colaborar com grandes cooperativas de uso, para que os agricultores possam armazenar parte do pico da safra e depois escoá-la”, explica.

Em março deste ano, caminhoneiros chegaram a enfrentar oito horas de congestionamento para descarregar os veículos no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. Os problemas começaram no fim de fevereiro devido à super safra de grãos. Muitos terminais trabalharam acima da capacidade e os caminhões ficavam à espera na rodovia provocando quilômetros de trânsito parado na Rodovia Cônego Dômenico Rangoni.

Investimentos

Ainda durante a coletiva, o presidente da feira anunciou o valor de R$ 15 milhões em investimentos na infraestrutura do evento para os próximos três anos. Segundo Biagi, os investimentos incluem a criação da casa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Além de melhorias na infraestrutura do evento, o novo plano diretor da Agrishow deve contemplar questões relacionadas à sustentabilidade e ao meio ambiente. “Infraestrutura e meio ambiente é algo que temos que melhorar na feira. Demorou muito para assinarmos o contrato de cessão dessa área, o que fez com que atrasássemos um pouco a elaboração do plano diretor da feira. Agora, com o plano praticamente finalizado, podemos pensar onde será colocado cada detalhe, como estará a feira daqui a dez anos. Poderemos desenvolver melhor tudo o que está relacionado ao meio ambiente”, afirma.

Um dos planos ambientais é trazer o projeto da Cidade da Energia para Ribeirão Preto. Implantado em São Carlos pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) no ano de 2008, o projeto foi abandonado por problemas relacionados a questões ambientais no município. “Estávamos com todas as verbas aprovadas e não conseguimos executar o projeto em São Carlos. A ideia dentro do plano diretor é trazer a Cidade da Energia para cá. A Cidade da Energia Sustentável Renovável não morreu”, disse Cesário Ramalho da Silva, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), uma das entidades realizadoras da feira.
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