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Sábado, 27 de fevereiro de 2021

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Após ação da PF, Maggi convoca grandes frigoríficos para reunião de emergência com Temer

Da Redação - Lázaro Thor Borges

18 Mar 2017 - 11:20

Foto: Rogério Florentino Pereira/OD

Após ação da PF, Maggi convoca grandes frigoríficos para reunião de emergência com Temer
O ministro Blairo Maggi convocou empresários do setor da produção industrial da carne para uma reunião com o presidente Michel Temer (PMDB) no próximo domingo, 19. O encontro servirá para “tranquilizar” produtores e empresários sobre os efeitos da Operação “Carne Fraca” que apura irregularidades na fiscalização sanitária do Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento (Mapa).

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A reunião emergencial foi uma decisão tomada por Maggi e por Temer na manhã deste sábado (18). A principal preocupação é de que o mercado externo deixe de comprar a carne produzida no Brasil depois dos crimes apontados pela Polícia Federal (PF). Por conta disso, representantes de países que compram carne brasileira também devem comparecer ao encontro. 

“O ministro Blairo Maggi mandou convidar todos os países que compram carne brasileira para esclarecer os últimos acontecimentos e tranquilizá-los quanto ao serviço de vigilância sanitária do Brasil. Reunião também será com o presidente Michel Temer”, informou o secretário-executivo do Mapa, Eumar Nocacki.

Durante coletiva na tarde da última sexta-feira (17), Novacki disse que o Mapa teme que mercados sejam fechados para as carnes brasileiras depois da operação ter sido deflagrada. Ele também lembrou que o Ministério tem trabalhado “para evitar isso”. 

"Eu preciso reforçar que o sistema de vigilância sanitária no Brasil é um sistema consolidado, robusto e aprovado por inspeções internacionais. Ou seja, nosso sistema funciona. Agora, nenhum sistema está livre de má índole. Se você tem uma pessoa atrás desse sistema operando com segundas intenções, haverá falhas. Mas nós estamos tomando as medidas para tornar cada vez mais difícil a fraude", disse em coletiva. O Ministério afastou ainda 33 servidores, após a deflagração da operação. 

A operação
 
A operação da Polícia Federal denominada "Carne Fraca" foi deflagrada na manhã desta sexta-feira, 17 de março, em sete Estados (São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás), com o objetivo de desarticular organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio.
 
A operação é considerada a maior já desarticulada pela Polícia Federa. Estão envolvidos na ação aproximadamente 1100 policiais federais no cumprimento de 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão, em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao grupo criminoso.
 
As ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR). Gravações telefônicas divulgadas obtidas pela Polícia Federal e divulgadas nesta sexta-feira, 17 de março, apontam que vários frigoríficos nos Estados investigados comercializavam carne estragada tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo.
 
Em torno de 30 empresas frigoríficas estão envolvidas na operação "Carne Fraca". Entre as empresas, segundo documentos divulgados pela Polícia Federal, estão a BRF, que controla as marcas Sadia e Perdigão, e a JBS, além de frigoríficos pequenos das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
 
De acordo com a Polícia Federal, agentes públicos utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva.
 
As investigações ocorreram durante dois anos e dentre as ilegalidades praticadas no âmbito do setor público, denota-se a remoção de agentes públicos, com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos empresariais. Conforme a Polícia Federal, tal conduta dos agentes públicos permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação vigente.
 
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, cancelou nesta sexta-feira, 17 de março, a sua licença de 10 dias da pasta para acompanhar as investigações.
 
"O que as apurações da Polícia Federal indicam é um crime contra a população brasileira, que merece ser punido com todo o rigor", declarou Maggi em nota.
 
O ministro Blairo Maggi afirmou ainda que "Neste momento, toda a atenção é necessária para separarmos o joio do trigo. Muitas ações já foram implementadas para corrigir distorções e combater a corrupção e os desvios de conduta, e novas medidas serão tomadas. Estou coordenando as ações, já determinei o afastamento imediato de todos os envolvidos e a instauração de procedimentos administrativos. Todo apoio será dado à PF nas apurações. Minha determinação é tolerância zero com atos irregulares no Mapa".

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