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Mapa não descarta novas operações como “Carne Fraca” e afirma temer fechamento de mercado externo

Da Redação - Viviane Petroli

17 Mar 2017 - 17:01

Foto: Carlos Silva/Mapa

Mapa não descarta novas operações como “Carne Fraca” e afirma temer fechamento de mercado externo
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) não descarta que novas operações ligadas ao setor do agronegócio, como a “Carne Fraca”, venham a ser deflagradas no Brasil diante irregularidades que estão sendo verificadas pela pasta e encaminhadas para o Ministério Público Federal e Polícia Federal. Irregularidades foram constatadas pelas investigações em carnes bovinas, frango, mortadelas, salsicha e outros produtos em indústrias e frigoríficos de sete Estados. Em entrevista coletiva nesta tarde de sexta-feira, o secretário-executivo do Mapa, Eumar Novacki, afirmou que o Ministério teme “sim” que mercados venham a ser fechados para as carnes brasileiras e salientou que “trabalha-se para evitar isso”.
 
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira, 17, a operação “Carne Fraca” com o objetivo de desarticular organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio.
 
“Isso nos deixa preocupados. Somos grandes players no mercado internacional”, salientou Novacki. Há informações que países da União Europeia e os Estados Unidos já teriam entrado em contato com o Ministério da Agricultura.  “Temos deixado claro e atestado a qualidade de nossas carnes. Situações como essa servem de estimulo para que continuemos melhorando cada vez mais. O que nos deixa um pouco mais tranquilos é que estamos presentes em mais de 150 países, que atestam a nossa qualidade”, declarou Novacki.

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O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, não descartou que novas operações possam vir a ser deflagradas. Novacki revelou que desde que Blairo Maggi assumiu o Ministério mudanças foram realizadas na forma de condução dos procedimentos de inspeção sanitária de origem animal. Entre elas, cita ele, está a troca de fiscais agropecuários entre frigoríficos com selo de Serviço de Inspeção Federal (SIF), até mesmo para evitar a ocorrência de fraudes.
 
“Novas operações poderão vir. Irregularidades detectadas são enviadas para o Ministério Público Federal e Polícia Federal”, disse o secretário do Ministério.
 
Os casos são considerados isolados pelo Ministério da Agricultura diante a existência de mais de quatro mil estabelecimentos. “Estão envolvidos 21 estabelecimentos com SIF e quatro grupos empresariais. Todos os desvios de condutas estão sendo investigados, inclusive de servidores federais”. Novacki salientou que quando se fala em “quatro grupos empresariais não significa que são todas as empresas e unidades dos mesmos que estão envolvidas na operação”.
 
Segundo Novacki, três unidades frigorífica/indústrias já estão interditadas. Uma delas trata-se da BRF, unidade de frango, em Mineiros (GO) e as duas unidades da Peccin Agro Industrial LTDA, localizadas Jaguará do Sul (SC) e Curitiba (PR), com produção de salsicha e mortadela. “Produtos estão sendo recolhidos nos supermercados”, disse Novacki. Além disso, os 33 servidores envolvidos já foram afastados de seus cargos.
 
O ministro Blairo Maggi determinou que façamos um levantamento, que em breve estará disponível no site do Mapa, dos números dos SIFs e produtos, marcas e seus lotes que estão no mercado. “Faremos tudo com o máximo de transparência. Estamos aguardando as informações das investigações”, declarou Novacki.

Em nota a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) declara que manifesta "apoio total e irrestrito" para a operação deflagrada pela Polícia Federal para combater crimes que colocam em risco a saúde dos consumidores.

"A Acrimat defende a apuração de todos os fatos e a devida punição aos envolvidos no sistema de corrupção investigado. A garantia da qualidade e a segurança alimentar dos consumidores dependem de ações como esta, que visam impedir a comercialização de produtos que colocam em risco a saúde das pessoas", diz a Associação mato-grossense em nota.
 
A operação
 
A operação da Polícia Federal denominada "Carne Fraca" foi deflagrada na manhã desta sexta-feira, 17 de março, em sete Estados (São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás), com o objetivo de desarticular organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio.
 
A operação é considerada a maior já desarticulada pela Polícia Federa. Estão envolvidos na ação aproximadamente 1100 policiais federais no cumprimento de 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão, em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao grupo criminoso.
 
As ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR). Gravações telefônicas divulgadas obtidas pela Polícia Federal e divulgadas nesta sexta-feira, 17 de março, apontam que vários frigoríficos nos Estados investigados comercializavam carne estragada tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo.
 
Em torno de 30 empresas frigoríficas estão envolvidas na operação "Carne Fraca". Entre as empresas, segundo documentos divulgados pela Polícia Federal, estão a BRF, que controla as marcas Sadia e Perdigão, e a JBS, além de frigoríficos pequenos das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
 
De acordo com a Polícia Federal, agentes públicos utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva.
 
As investigações ocorreram durante dois anos e dentre as ilegalidades praticadas no âmbito do setor público, denota-se a remoção de agentes públicos, com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos empresariais. Conforme a Polícia Federal, tal conduta dos agentes públicos permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação vigente.
 
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, cancelou nesta sexta-feira, 17 de março, a sua licença de 10 dias da pasta para acompanhar as investigações.
 
"O que as apurações da Polícia Federal indicam é um crime contra a população brasileira, que merece ser punido com todo o rigor", declarou Maggi em nota.
 
O ministro Blairo Maggi afirmou ainda que "Neste momento, toda a atenção é necessária para separarmos o joio do trigo. Muitas ações já foram implementadas para corrigir distorções e combater a corrupção e os desvios de conduta, e novas medidas serão tomadas. Estou coordenando as ações, já determinei o afastamento imediato de todos os envolvidos e a instauração de procedimentos administrativos. Todo apoio será dado à PF nas apurações. Minha determinação é tolerância zero com atos irregulares no Mapa".

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