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Quarta-feira, 12 de maio de 2021

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Acompanhamento técnico amplia acesso ao Microcrédito Rural

Ministério do Desenvolvimento Agrário

14 Set 2012 - 19:41

Nascido e criado na zona rural de Boquim/SE, município localizado no Território da Cidadania Sul Sergipano, a 80 km da capital Aracaju, o técnico em agropecuária Jeotônio Ferreira das Neves, 59 anos, sempre lidou com a realidade dos agricultores familiares do estado. Realidade que, muitas vezes, envolvia a falta de oportunidades e estrutura para o desenvolvimento sustentável da produção agrícola e da pecuária regional.

O cenário que poderia distanciá-lo do município acabou influenciando em sua escolha profissional. Há 36 anos, Ferreira, como é conhecido em Boquim, assiste aos agricultores familiares da região com serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). A inspiração para a jornada nasceu quando ele ainda criança acompanhava os trabalhos dos pais na lavoura. “Sou de família de tradição agrícola. Meu pai, minha mãe, todo mundo trabalhava na roça. Sempre vi o trabalho da assistência técnica que minha família recebia e me encantei com isso”, explica o técnico que hoje é coordenador da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) em Boquim.

Em seu trabalho, Ferreira coordena os serviços de Ater para aproximadamente 400 famílias. Destas, cerca de cem são beneficiárias do Microcrédito Rural, a linha de crédito Grupo B do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf B), coordenado pela Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA). A modalidade atende os produtores de baixa renda. “Essa linha de crédito é o carro chefe para os agricultores. É o começo de tudo”, define.

O contato com os agricultores é iniciado cedo, antes mesmo de eles receberem o crédito. Porque para solicitar o empréstimo o produtor precisa apresentar um projeto simplificado, onde especificará como pretende aplicar o recurso financiado. Nessa fase, Ferreira ouve os anseios e as pretensões dos agricultores e analisa a realidade das famílias e as condições oferecidas nas propriedades. A partir das informações coletadas, orienta a elaboração do projeto específico para cada família.

“Conhecemos agricultores que iniciaram com o Pronaf B e já saíram dessa linha de crédito porque conseguiram se desenvolver. É visível a mudança da situação financeira e social da família”, conta. A observação do técnico é reforçada com a previsão de um estudo realizado pelo Banco do Nordeste, que atesta a ascensão dos agricultores familiares e estima que cerca de 60 mil agricultores familiares do grupo B deverão acessar outras linhas de crédito do Pronaf até o primeiro semestre de 2013. “Já poderia até estar aposentado, mas ainda tenho muito a ser feito. Para mim, é como se fosse uma obrigação ajudar os agricultores”, completa Ferreira.

Acompanhamento técnico

Depois que os agricultores acessam o crédito no agente bancário, Ferreira os visita periodicamente para acompanhar o desenvolvimento da produção. Os agricultores contam ainda com as capacitações coletivas que são promovidas na região. Para deixar os encontros mais dinâmicos e didáticos, o técnico percorre as comunidades do município com cartazes, filmes e apresentações projetadas de um computador portátil. A rotina intensa acaba por ultrapassar as fronteiras do trabalho. “A gente passa a ser um integrante da família”, fala.

Para Ferreira, a realização de seu trabalho se completa quando ele constata o crescimento dos agricultores. “É gratificante. Porque ajudo a elevar o nível socioeconômico dos agricultores, do município como um todo.”
Foi o que ocorreu no caso do produtor de hortaliças José Luiz dos Santos Nascimento, 38 anos. Casado e pai de dois filhos – um menino de 11 anos e uma menina de cinco meses –, ele já recorreu ao financiamento do Microcrédito Rural duas vezes. Primeiro em 2008 e, depois, em 2010.
Com as orientações de Ferreira e o recurso do Microcrédito Rural, o agricultor estruturou e investiu em sua propriedade de uma tarefa, área equivalente a 0,3 hectare. Em um período de quatro anos, José e a família viram a vida mudar completamente. Até então empregado de outras propriedades, ele passou a contratar mão de obra para ajudá-lo na plantação, duplicou o tamanho de sua terra, reformou e ampliou a casa própria e, ainda, comprou uma moto para facilitar as entregas das hortaliças na cidade.

“Trabalho com a plantação de hortaliças há sete anos, mas quando comecei era bem devagar porque não tinha capital para investir. No começo, não conseguia nem plantar a metade da tarefa, hoje já sei que posso plantar a tarefa inteira que terei lucro. Agora, consigo pagar minhas dívidas e já estou até poupando para a faculdade do meu filho. Acho que não conseguiria sem o Pronaf B”, completa José Luiz, que quitará o segundo empréstimo em breve.

Dicas

Agricultor, confira três orientações para operações do Microcrédito Rural:

1º – Aplicação correta do crédito. É importante que o agricultor familiar mantenha o foco do projeto e aplique os recursos conforme planejado. “O sucesso depende totalmente da aplicação”, explica Jeotônio Ferreira.

2º – Conhecer a região. O produtor deve ficar atento e observar quais as culturas e criações que se adaptam melhor às condições climáticas e do solo de sua região. Também deve estar atento aos mercados e feiras do município, para que ele possa conhecer como é feita a comercialização do produto que pretende vender. “Ele deve pesquisar para ver se o que pretende vender terá saída no município”, informa Ferreira.

3º – Diversificação da atividade. O agricultor que deseja acessar o Pronaf B precisa planejar sua produção para enfrentar o período da entressafra. Para a região sul de Sergipe, área de atuação de Ferreira, ele recomenda aos produtores que cultivam laranja, por exemplo, que comecem a plantar verdura no verão. Segundo o técnico, isto garantirá a renda da família durante todos os meses do ano. “Além disso, a venda das verduras no verão é mais valorizada. Os produtos são vendidos com preço melhor, por causa da escassez”, diz.

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