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Domingo, 21 de abril de 2024

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Degradação cresce nas pastagens da Amazônia mato-grossense mesmo com boas praticas

Foto: Reprodução

Degradação cresce nas pastagens da Amazônia mato-grossense mesmo com boas praticas
Estudo recente revelou que a degradação das pastagens na região amazônica de Mato Grosso aumentou em 123 mil hectares. Porém, áreas que adotaram boas práticas agropecuárias mostraram uma redução nesse índice.

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O "Diagnóstico das Pastagens na Amazônia Mato-grossense", divulgado pelo Instituto Centro de Vida (ICV), com base em dados do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig) da Universidade Federal de Goiás (UFG), detalha o perfil das pastagens em 18 municípios de Mato Grosso, incluindo 17 do Território Portal da Amazônia e Cotriguaçu. O levantamento de campo avaliou 11 características relacionadas ao manejo para determinar a condição atual das pastagens.

Os dados consideram informações coletadas de 2015 a 2021, validadas em campo em 2022. Durante esse período, houve uma redução de 54.060 hectares na área total de pastagem na região, acompanhada por um aumento na degradação das pastagens existentes, principalmente devido ao avanço da agricultura na área, especialmente de lavouras de soja e milho.

Weslei Butturi, analista de geotecnologias do ICV, destacou que o estudo fornece dados valiosos para orientar gestores na tomada de decisões, tanto públicos quanto privados, municipais ou estaduais.

Para apresentar alternativas de produção, o ICV promoveu a adoção das técnicas do manual de Boas Práticas Agropecuárias da Embrapa (BPA) em propriedades rurais na região Norte de Mato Grosso, através dos projetos "Pecuária Integrada de Baixo Carbono" e "Programa Novo Campo". Isso incluiu melhorias no manejo das pastagens, como análise de solo, correção de fertilidade e ajustes no manejo do rebanho.

Os resultados dessas ações foram positivos, com um aumento na qualidade das pastagens em cinco propriedades rurais acompanhadas pelos projetos do ICV, onde 276,8 hectares deixaram de apresentar sinais de degradação.

O estudo foi conduzido através do mapeamento das pastagens por meio de imagens de satélite pelo Lapig, com validação em campo. Foram consideradas características como estágio de desenvolvimento, presença de invasoras, disponibilidade de forragens, entre outras, para avaliar as pastagens.

Durante o período do estudo, foi observado um aumento na degradação das pastagens, com 123.166 hectares passando de uma condição sem degradação para uma condição intermediária ou severa.

A redução na área de pastagens não foi uniforme ao longo dos anos, com um aumento inicial de 2015 a 2017, seguido por uma queda de 2018 a 2021, principalmente devido à expansão das lavouras de soja e milho.

Os municípios de Nova Bandeirantes, Apiacás e Cotriguaçu registraram um aumento nas áreas de pastagem, enquanto municípios como Alta Floresta, Novo Mundo, Nova Santa Helena e Matupá viram uma redução, especialmente onde o uso do solo já estava consolidado.

O estudo também destacou que a transição das áreas de pastagens para agricultura foi mais intensa em propriedades cadastradas no Sistema Mato-grossense de Cadastro Ambiental Rural (SIMCAR), enquanto houve um aumento na área de pastagem em propriedades não cadastradas no SIMCAR.

Em todos os municípios avaliados, houve perda de vegetação nativa durante o período avaliado, com as maiores perdas nos extremos leste e oeste do território, como em Nova Bandeirantes e Marcelândia, que apresentaram altos percentuais de vegetação nativa remanescente e baixos percentuais de área consolidada.
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