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Terça-feira, 05 de março de 2024

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Redução de impactos

Professor da UFMT pesquisa sobre valorização do biocarvão a partir do uso na construção civil

Foto: Alexandre Canto Melo

Professor da UFMT pesquisa sobre valorização do biocarvão a partir do uso na construção civil
O professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Alex Neves Júnior, está pesquisando à valorização do biocarvão a partir do uso na construção civil. Além desse estudo, a instituição de ensino trabalha em diferentes frentes para trazer soluções neste sentido para os produtores do estado, sejam pequenos ou grandes, junto da Fundação de Amparo à Pesquisa em Mato Grosso (Fapemat).

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O objetivo da pesquisa é reduzir o impacto ambiental e a emissão de gás carbônico durante o processo de produção de cimento. Assim, talvez, substituindo o cimento por biocarvão. 

Biocarvão

“O biocarvão é produzido a partir de um tratamento térmico de biomassa ou outros materiais orgânicos – como restos vegetais, resíduos da produção de animais e lixo urbano – que pode resultar em um material rico em carbono estável, como o carvão, mas com menor impacto ambiental na produção”, explica o professor Alex Neves Junior, da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet).

O professor ainda afirma que pode ser aplicado diretamente no solo, funcionando como um tipo de fertilizante. Transformar biomassa em carvão pode ser bem caro, tornando-se não muito atrativo economicamente para os produtores.

O cimento que usamos cotidianamente é composto por calcário e argila extraídos da natureza, misturado com outros elementos para que tenha diferentes características e aplicações na construção civil.

“Esse é o material de construção mais utilizado no mundo e sua produção é responsável por cerca de 8% das emissões globais de gás carbônico, então é uma atividade altamente poluidora. O que estamos estudando é a substituição de uma parcela do cimento pelo biocarvão, contribuindo para o seu balanço emissivo”, explica Alex.

A substituição do que qualquer material por biocarvão serviria para mitigar o impacto ambiental do cimento, além de que agregaria no valor comercial ao biocarvão e aumentaria o incentivo dos produtores para investir no processo.

“A nossa proposta em acrescentar o biocarvão é não apenas diminuir o uso do cimento na composição, mas também aplicar a carbonatação durante o endurecimento do material, aproveitando algumas características físico-químicas que o biocarvão proporciona, que pode, além de melhorar as propriedades finais do material, ajudar a reter mais CO2 durante o seu tratamento”, pontua o professor.

A expectativa é que depois de calcular a pegada de carbono do processo, o carbono seja neutralizado. Se não for possível, a tentativa é de ao menos reduzi-lo a patamares baixos.

Ciclos

A pesquisa financiada pela Fapemat tem duração prevista de um ano, mas faz parte de projetos maiores e trabalha em paralelo com outros estudos, de outras instituições, em busca de avanços incrementais em nosso conhecimento sobre o mundo, como é normal no ciclo da ciência.

Curiosamente, a solução que a equipe do professor Alex está procurando para a poluição do cimento também é criar um ciclo para a neutralização do gás carbônico ao longo de sua cadeia de produção e utilização.

E se as hipóteses forem confirmadas, também vai contribuir para o ciclo da produção agrícola, valorizando o biocarvão, que é uma alternativa sustentável para a destinação do que hoje é visto como “resto” ou “lixo” da produção de alimentos.

Além do apoio da Fapemat, o professor Alex Neves Junior é bolsista de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), fomento oferecido pela entidade para pesquisadores com produtividade científica contínua.
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