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Sexta-feira, 20 de maio de 2022

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Podem provocar câncer

Estudo detecta presença de substâncias radioativas nas águas de Tangará da Serra, Sinop e Comodoro

Foto: Reprodução/Ilustração

imagem ilustrativa

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Levantamento realizado pelo Repórter Brasil, divulgado nesta semana, aponta a presença de substâncias radioativas em pelo menos três cidades de Mato Grosso, são elas: Tangará da Serra, Sinop e Comodoro. Elas são tidas como causadoras de doenças crônicas quando consumidas em excesso e de forma contínua, como o câncer, de acordo com a Agência Internacional de Pesquisas em Câncer (IARC) Órgão da organização Mundial da Saúde (OMS).

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Os dados foram levantados pelo Repórter Brasil a partir do Sistema de Informações da Qualidade da Água para Consumo (SISAGUA) do Ministério da Saúde e as substâncias foram detectados entre 2018 e 2020.
 
Tangará da Serra
 
Em Tangará da Serra, foram detectadas duas substâncias (atividade alfa total e cádmio), com os maiores riscos de gerar doenças crônicas, como câncer e uma outra (urânio), que também gera riscos à saúde.
 
A atividade alfa é classificada como cancerígena para o ser humano. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), as partículas alfa são “extremamente perigosas” se inaladas ou ingeridas. Os radionuclídeos, como a atividade alfa total, são empregados nas ciências médicas como fontes de radiação.
 
O cádmio e seus compostos são classificados como cancerígenos. Como base para essa classificação, estão evidências de tumores pulmonares em trabalhadores e animais que inalaram a substância.
 
Os principais efeitos da exposição prolongada são doença pulmonar crônica obstrutiva e enfisema, além de distúrbio crônico dos túbulos renais. Essa é uma substância utilizada pela indústria: o metal cádmio é usado como anticorrosivo em aço galvanizado, o sulfeto de cádmio e selenito como pigmentos em plásticos e os compostos de cádmio na manufatura de pilhas, baterias, componentes eletrônicos e reatores nucleares.
 
A ingestão de urânio em altas concentrações pode causar efeitos na saúde, como câncer ósseo ou hepático, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. O urânio é utilizado em reatores nucleares comerciais que produzem eletricidade e para fins medicinais, industriais e militares em todo o mundo.

Veja o estudo completo da cidade AQUI.
 
Sinop
 
Foi detectada uma substância (Atividade alfa total) com os maiores riscos de gerar doenças crônicas, como câncer, acima do limite de segurança na água de Sinop, conforme o estudo.
 
A atividade alfa é classificada como cancerígena para o ser humano pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde.
 
De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), as partículas alfa são “extremamente perigosas” se inaladas ou ingeridas. Os radionuclídeos, como a atividade alfa total, são empregados nas ciências médicas como fontes de radiação.

Veja o estudo completo da cidade AQUI.
 
Comodoro
 
Na cidade de Comodoro, foram detectadas 2 substâncias com os maiores riscos de gerar doenças crônicas, como câncer, acima do limite de segurança na água. São elas: Rádio-228 e Nitrato (como N).
 
O rádio-228 é classificado como cancerígeno para o ser humano pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde.
 
O rádio tem sido utilizado como fonte de radiação para o tratamento do câncer, em radiografias de metais e combinada com outros metais como fonte de nêutrons para pesquisa e calibração de instrumentos de radiação.
 
O nitrato é classificado como provavelmente cancerígeno para humanos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde.
 
O nitrato e seus compostos são utilizados na fabricação de fertilizantes, conservantes de alimentos, explosivos e pela indústria farmacêutica na produção de medicamentos vasodilatadores.

Veja o estudo completo da cidade AQUI.
 
Estudo
 
Todas as substâncias químicas e radioativas listadas oferecem risco à saúde se estiverem acima da concentração máxima permitida pelo Ministério da Saúde. Elas foram detectadas ao menos uma vez nas águas que abastecem estes municípios entre 2018 e 2020.
 
Quando essas substâncias estão acima do limite, a água é considerada imprópria para o consumo. Nesses casos, as instituições de abastecimento deveriam informar a população sobre o problema, assim como sobre as medidas tomadas para resolvê-lo.
 
Para facilitar o entendimento sobre os riscos dos casos de contaminação, foi criada uma divisão entre as substâncias, separando-as em dois grupos de periculosidade:
 
As “substâncias com os maiores riscos de gerar doenças crônicas, como câncer” são as que têm maior evidência de risco à saúde. Elas são listadas como “reconhecidamente” ou “provavelmente” cancerígenas, disruptoras endócrinas (que desencadeiam problemas hormonais) ou causadoras de mutação genética. Essas classificações de risco são da Organização Mundial da Saúde ou das agências regulatórias da União Europeia, Estados Unidos, Canadá e Austrália.
 
Já o segundo grupo “substâncias que geram riscos à saúde” reúne todas as outras que também oferecem risco, segundo a literatura internacional e o Ministério da Saúde. Entre elas estão as "possivelmente" cancerígenas", além das que podem causar doenças renais, cardíacas, respiratórias e alteração no sistema nervoso central e periférico.
 
Os critérios para fixar os limites de segurança para cada substância na água são do Ministério da Saúde, assim como a lista de substâncias que devem ser testadas na água de 2 a 4 vezes por ano.
 
Os riscos são maiores para quem bebe a água imprópria de forma contínua, ou seja, diversas vezes ao longo de meses ou anos. Casos em que a mesma substância aparece acima do limite nos três anos analisados (2018, 2019 e 2020) foram destacados com o alerta máximo no topo da página.
 
Os testes são feitos pelas empresas ou órgãos de abastecimento e enviados ao Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), banco de dados do Ministério da Saúde que reúne informações de todo o país.

Confira abaixo a lista das substâncias detectadas acima do limite em cada cidade:
  1. Cuiabá: Nitrato
  2. Campo Verde: Níquel
  3. Primavera do Leste: Benzo[a]pireno; Mercúrio e Urano
  4. Paranatinga: Arsênio; Nitrito (como N); Cloreto de Vinila e Trihalometanos Total.
  5. Campinápolis: Trihalometanos Total
  6. Sorriso: Nitrato (como N)
  7. Arenápolis: Acrilamida
  8. Tangará da Serra: Atividade alfa total (radioativa); Cádmio e Urânio
  9. Cáceres: Chumbo; Selênio e Mercúrio
  10. Pedra Preta: Arsênio
  11. Alto Garças: Lindano (gama HCH) e Benzo[a]pireno
  12. Pontal do Araguaia: Cloreto de Vinila
  13. Comodoro: Rádio-228 e Nitrato (como N)
  14. Juína: Níquel
  15. Sinop: Atividade alfa total
  16. Marcelândia: Aldrin + Dieldrin e Mercúrio
  17. Confresa: Ácidos haloacéticos total
  18. Guarantã do Norte: Clordano e Endrin
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