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Sexta-feira, 12 de agosto de 2022

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​PERSPECTIVAS ECONÔMICAS

Economista avalia que, apesar de melhora em comparação a anos anteriores, 2022 não será ano de crescimento

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Economista avalia que, apesar de melhora em comparação a anos anteriores, 2022 não será ano de crescimento
A situação econômica do ano de 2022, apesar de melhor que a de 2020 e 2021, não será de crescimento. Ainda por causa dos efeitos da pandemia, e por ser um ano político (mais curto), o próximo ano deve ser de estagnação econômica, a nível de Brasil. A economia de Mato Grosso deve apresentar melhores resultados que a nacional, principalmente por causa da alta do dólar e as exportações, no entanto, os sinais de diminuição do crescimento da China devem impactar nosso Estado. Outros fatores internos e externos influenciarão a economia.
 
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O Núcleo de Inteligência de Mercado da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) realizou uma pesquisa e apurou as expectativas para a economia do ano vindouro. O resultado foi otimista, com 61% dizendo que a situação do comércio vai melhorar.
 
Conforme os dados da pesquisa, a geração mais otimista é a X (42 a 55 anos) com 71,6%. As pessoas com faixa de renda mais otimista foi a de R$ 3.000 a R$ 6.000 (69,40%). A Região Oeste apresentou um otimismo acima da média (68,6%). Isso a nível de Mato Grosso.
 
O economista Fernando Henrique Dias, mestrando em Economia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), fez uma análise sobre as expectativas econômicas do Brasil e também de Mato Grosso. Ele explicou que 2022 deve ser um ano de estagnação ou até mesmo de recessão.
 
“Teremos em 2022 um ano político, que é um ano menor, e isto influencia diretamente na questão econômica. Por exemplo, se você for analisar de forma macro, o avanço da vacinação vai facilitar com que a Economia consiga executar seu ciclo, porém, existem alguns fatores endógenos e exógenos que ainda vão permear o ano de 2022, isso significa que não vai haver um crescimento, vai ter uma estagnação ou até mesmo uma recessão”.
 
Entre os fatores exógenos, externos, apontados pelo economista existe a alta dos juros norte-americanos, que resultará em uma fuga de dólares. Além disso também há a ‘guerra comercial’ entre os Estados Unidos e a China, que começou ainda no governo Trump, mas continua no governo Biden. Um outro fator que deve provocar impactos é a variante Omicron, do coronavírus, que já tem motivado o lockdown em regiões da Europa. A desaceleração do crescimento da China também deve ter um forte impacto no país, principalmente em Mato Grosso, grande exportador de carne.
 
“Nós vemos que a China, por exemplo, este ano já não vai crescer como no ano passado, e isso reflete internacionalmente, porque a China é a grande compradora do mundo, ninguém consegue produzir como ela, e aí ela deve reduzir a compra de commodities, carnes, por exemplo”, disse Fernando.
 
O economista disse que 2022 deve ser melhor que 2021 por causa do avanço da vacinação, mas mesmo assim não se pode dizer que vai ser um ano de recuperação ou crescimento, a nível de Brasil. Já quando se olha a economia de Mato Grosso, as perspectivas são um pouco melhores.
 
“Quando falamos em recuperação estamos falando de índices superiores, então para ser melhor que 2021 não basta muita coisa. O ano de 2022 vai ser mais aquecido, mas não tem como falar que vai ser de crescimento. Se você olhar Mato Grosso, o Estado vai ter crescimento por causa das medidas que foram tomadas em 2021, que vai deixar de arrecadar um alto valor com a redução do ICMS, mas isso vai dar um gás para o empresariado, já que vai ter mais dinheiro circulando”, disse.
 
Dias afirmou que o crescimento de Mato Grosso vai em contrapartida ao de outros estados brasileiros, por ser um estado agroexportador. Esta característica faz com que Mato Grosso se beneficie com a alta do dólar. No entanto, também há riscos, principalmente por causa da desaceleração do crescimento da China, o maior cliente do Estado.
 
A alta do dólar também deve fazer com que o preço dos combustíveis continue alto no próximo ano, em todo o país. O economista explicou que o responsável pelos altos valores é o preço de paridade de importação (PPI).
 
“A questão do combustível é bem simples, não é o ICMS, como o Governo Federal falou, isso é mentira. O que faz o combustível ficar mais caro é o PPI, que é a paridade internacional. A Petrobras comercializa com dólar, então a paridade internacional faz com que o combustível chegue na bomba do consumidor final muito mais caro. Então isso é uma coisa que não tem como falar que vai mudar o combustível. Então a nível de Brasil não tem essa previsão de melhoria para o ano de 2022”.
 
Existem também fatores endógenos, internos, que devem influenciar a economia no próximo ano, como por exemplo, a alta da inflação.
 
“Estamos chegando a dois dígitos de inflação e isso é perigosíssimo. Isso significa que perdemos poder de compra, a nossa moeda, frente ao dólar, é a segunda pior moeda. Ou seja, tudo fica mais caro para se produzir, e quando o consumidor chega no mercado, sente que seu dinheiro não vale. [...] Perdendo o poder de compra não conseguimos fazer o ciclo da economia rodar”.
 
Fernando Henrique Dias afirma que serão necessárias medidas por parte do Governo Federal, que até vem tentando resolver os problemas, mas sem muito sucesso. Ele avalia que os auxílios pagos à população foram medidas positivas, mas que este dinheiro não será repassado eternamente. O economista afirma que o necessário é investimento em geração de empregos, já que o país possui 14 milhões de desempregados e 8 milhões de brasileiros desalentados, ou seja, que deixaram de procurar emprego.
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