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Para segunda-feira

Sindicatos de MT não devem aderir a convocação nacional para nova greve dos caminhoneiros

Da Redação - Wesley Santiago

29 Jan 2021 - 10:15

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Sindicatos de MT não devem aderir a convocação nacional para nova greve dos caminhoneiros
Os sindicatos de Mato Grosso não devem aderir a convocação nacional feita pelo Conselho Nacional de Transportes Rodoviários de Cargas (CNTRC) para uma nova greve dos caminhoneiros, a partir da próxima segunda-feira, 1º de fevereiro. O posicionamento inicial dos representantes do Estado é de que não é momento para isto.

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O diretor executivo da Associação das Empresas do Transporte de Carga de Mato Grosso (ATC), Miguel Mendes, afirmou que a maioria das entidades sindicais, associativas e cooperativas são totalmente contrárias a esta convocação.
 
“O Conselho Nacional de Transportes Rodoviários de Cargas (CNTRC) é uma entidade recém-criada, com pouca representatividade e que não teria esta liderança para convocar a paralisação nacional. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) é reconhecida como nossa representante legitima e já se colocou contrária a greve”, disse Miguel ao Olhar Direto.
 
Segundo o diretor, o momento pelo qual o país passa é totalmente adverso para uma paralisação como esta: “Uma das maiores pandemias da história, muitos chorando seus mortos, outros internados lutando pela vida, não adianta querer fazer greve, causar desabastecimento de alimentos e insumos, é algo totalmente irresponsável. Jamais contaria com nosso apoio”.
 
“Posso afirmar com a mais absoluta certeza que só vai haver paralisação se tiver algum bloqueio de pista, porque não terá adesão de forma espontânea. Acreditamos que todos estarão trabalhando na segunda-feira. Caso haja isto, será por parte destas pessoas que estão tentando esta paralisação”, finalizou Miguel.
 
Ouvido pelo Olhar Direto, o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de Mato Grosso (Sindicam), Roberto Pessoa Costa, foi enfático ao dizer que isto “é coisa de quem não tem o que fazer”.
 
“Ninguém vai apoiar, não apoiamos esta greve. É coisa de gente que não tem o que fazer. Todas as entidades sérias já disseram que não vão apoiar, os sindicatos de gente séria, não irão apoiar”, explicou o presidente.
 
Gilson Baitaca, que foi um dos representantes do grupo de caminhoneiros na greve de 2018 (Movimento dos Transportadores de Grãos), disse que, neste momento, está um pouco distante da categoria, mas o que tem ouvido é que a paralisação não deve ser apoiada pelos motoristas do Estado.
 
Em nota, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) informou, por intermédio do seu presidente, Vander Costa, que não apoia nenhum tipo de paralisação de caminhoneiros e reafirma o compromisso do setor transportador com a sociedade. “Se houver algum movimento dessa natureza, as transportadoras garantem o abastecimento do país, desde que seja garantida a segurança nas rodovias”.
 
Em nota, o Ministério da Infraestrutura disse que o Conselho não é o responsável por falar pela categoria. Veja abaixo:
 
O Ministério da Infraestrutura esclarece que o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) não é entidade de classe representativa para falar em nome do setor do transporte rodoviário de cargas autônomo e que qualquer declaração feita em relação à categoria corresponde apenas à posição isolada de seus dirigentes. O MInfra reforça a necessidade de entender o caráter difuso e fragmentado de representatividade do setor, seja regionalmente, seja pelo tipo de carga transportada, antes de divulgar qualquer informação referente à categoria. Nenhum associação isolada pode reivindicar para si falar em nome do transportador rodoviário de cargas autônomo e incorrer neste tipo de conclusão compromete qualquer divulgação fidedigna dos fatos referentes à categoria.
 
Convocação
 
O Conselho Nacional de Transportes Rodoviários de Cargas (CNTRC) enviou um ofício ao governo federal confirmando a paralisação da categoria a partir da próxima segunda-feira, 1º de fevereiro. A decisão foi por suspender, de forma coletiva, temporária, pacífica e parcial as atividades dos trabalhadores autônomos e empregados em transporte rodoviário de cargas no país.
 
Entre as demandas dos caminhoneiros, estão uma aposentadoria especial para o setor, piso mínimo estabelecido para frete e fiscalização mais atuante da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a fazer um apelo na quarta-feira (27) para que o movimento não fosse à frente.
 
No ofício, assinado pela diretoria executiva do CNTRC, a categoria diz que há insatisfação com a Petrobras sobre o aumento do preço do diesel e diz que a política de preços de paridade de importação não é errática, mas “conscienciosamente lesiva” para o mercado doméstico e o setor de transporte.
 
Durante a greve, 30% do total dos trabalhadores continuarão trabalhando, segundo o ofício, que foi encaminhado também ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).


 

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