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Sábado, 15 de agosto de 2020

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Queimadas aumentaram 530% no Pantanal mato-grossense em 2020

Da Redação - Fabiana Mendes

23 Jul 2020 - 11:00

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Queimadas aumentaram 530% no Pantanal mato-grossense em 2020
O Pantanal mato-grossense teve um aumento de 530% nos registros de queimadas no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram obtidos a partir de uma ferramenta interativa lançada nesta quinta-feira (23) pelo Instituto Centro de Vida (ICV) para o monitoramento dos focos de calor no estado durante o período de proibição de queimadas.

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Aberta para consulta na página da entidade, a plataforma permite visualizar a quantidade e localização de focos de calor de 2018 a 2020, com filtros e categorização por mês, municípios, biomas e categorias fundiárias das ocorrências no estado.

O painel será atualizado quinzenalmente com dados do satélite de referência disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) até o fim do período proibitivo, em 30 de setembro.

Primeiro semestre

Segundo informações da assessoria de imprensa, de janeiro a junho de 2020, foram registrados 6.747 focos de calor no estado, um aumento de quase 300 focos em relação a 2019 (com 6.450) e que contabilizou um acréscimo significativo em relação a 2018, com 4.383 ocorrências.

As queimadas no primeiro semestre foram lideradas pela Amazônia, com 60,93%, seguida do Cerrado, com 30,95%, e do Pantanal com 8,12%. "O período seguiu o mesmo ritmo alarmante do ano passado, com um pequeno aumento, e as áreas queimadas no Pantanal contribuíram para isso", avalia Vinícius Silgueiro, engenheiro florestal e coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, setor responsável pelo desenvolvimento do painel.

Pantanal em Risco

O painel mostra que o bioma Pantanal em Mato Grosso registrou um aumento de 530% nos focos de calor em relação ao mesmo período do ano anterior. De janeiro a junho, foram contabilizados 548 focos de calor no bioma. No mesmo período em 2019, foram contabilizados 87.

Dados do Inpe mostraram que o volume de chuvas em todo o bioma ficou 50% abaixo do normal no período de janeiro a maio, o que também colaborou para deixar o bioma mais suscetível aos incêndios.

Um destaque foi o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, que passou de três para 99 ocorrências e figurou como a unidade de conservação com o maior índice de focos de calor no estado no semestre.

Vinícius explica a importância do monitoramento em unidades de conservação nacionais e terras indígenas.

"São áreas protegidas de responsabilidade federal e como os órgãos ambientais dessa instância vêm sendo enfraquecidos, esse monitoramento ajuda a alertar e orientar onde devem ser direcionados esforços emergenciais. É importante que as operações federais e as estaduais se articulem e somem em campo, não se sobreponham, então esses dados podem contribuir também para isso", afirma.

O parque está localizado em Poconé, município do estado que lidera as queimadas no período, seguido por Nova Maringá, Feliz Natal, Paranatinga e Brasnorte.

Os imóveis privados com inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ainda respondem por 75% das ocorrências.

"Ver que um número significativo dos focos de calor está acontecendo em imóveis privados já inscritos no CAR é um indicativo de que é possível a identificação do proprietário e a responsabilização, bem como do desmatamento muitas vezes associado a essa queimada", diz o engenheiro. Em geral, o corte raso da vegetação nativa é seguido do uso de fogo para o preparo do terreno para atividades agropecuárias.

Aumento mesmo com proibição
 
Nos 15 primeiros dias do mês em Mato Grosso, já com a proibição em vigor, foi detectado um aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 754 focos de calor registrados, um aumento de 80 focos em relação a 2019, que somou 674 focos.

Os dados detectam uma tendência de aumento para o período das queimadas, o especialista alerta, visto que estamos iniciando o auge do período de estiagem. "Com a antecipação do período proibitivo esperava-se um número menor nessa primeira quinzena", diz.

Dos focos, 393 foram em imóveis registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR), seguido de 188 em terras indígenas. Os municípios que comandam a lista são Cáceres, Nova Maringá, Tangará da Serra e Luciara.

Vinícius explica que a iniciativa visa retratar a situação das queimadas de forma célere para que medidas efetivas possam ser tomadas para contenção. "Caracterizamos a ocorrência e isso fornece uma melhor compreensão da situação enquanto ela está acontecendo e assim, podem ser decididos direcionamento de esforços para uma região ou outra", ressalta.

2 comentários

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  • Ighor Bastos
    27 Jul 2020 às 01:01

    Essa noticia é completamente tendenciosa, demonstra a falta de conhecimento sobre o bioma pantaneiro, além de que aponta para uma porcentagem completamente sem embasamento. Clima nada mais é que um compilado das condições atmosféricas do local em um dado período, este que é de longos anos, assim se forma um clima de uma região, basta um simples ribeirinho do rio cuiabá, se contestado de maneira informal sobre isso, para refutar essa tese que não se sustenta. Afinal, em termos grosseiros sabemos que as 4 estações neste país( que situa entre os tropicos de cancer e capricornio), principalmente aqui no centro oeste, resumem-se em seca e cheia. Mesmas que não tem a mesma intensidade e ou severidade no decorrer dos anos, as vezes pouca chuva, as vezes muitissima, agravando ou o período das águas e da seca. Porém nunca fugindo dessa caracteristica, uma condição geografica, geologica e astrologica até. Vim trazer informação sem embasamento para tendenciar a população cuiabana, eu começo a duvidar dos reais interesses deste siterenomado do estado que no minimo, posso chamar de ingenuo, pra não chamar de outra coisa!

  • Marcelo
    25 Jul 2020 às 07:57

    ACORDA, PREFEITO !! São 07:00 da manhã e o cheiro forte de queimada no CARUMBÉ está horrível !!

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