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Terça-feira, 21 de setembro de 2021

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Mesmo com a crise momentânea, frango tem futuro promissor

Portal do Agronégocio

13 Set 2012 - 18:33

O momento da produção avícola brasileira é "especial e crítico", mas não deve perdurar, pois em médio e longo prazo a carne de frango tem as melhores perspectivas internacionais como fonte de alimentos. O especialista no setor Fábio Nunes estima que a produção mundial de frango deve crescer em torno de 80% até 2030 e triplicar até 2050. Nunes profere palestras no 9º Seminário Internacional de Industrialização da Carne e na Escola de Processamento Avícola 2012, em Chapecó, SC, na próxima semana – 19 e 20 de setembro. Promovidos pelo SENAI/SC, entidade do Sistema FIESC, os dois eventos integram a programação técnico-científica da Mercoagro - Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne.

Com 20 anos de experiência como executivo de grandes empresas, entre elas a Seara e a Perdigão, e atuando há mais uma década como consultor, em projetos no país e na América Latina, Nunes atribui a crise atual à redução do consumo internacional, associada à redução de da oferta de grãos. Ele explica que crise econômica, em especial na Europa, derrubou o consumo internacional, já que a população busca alimentos mais baratos, como os grãos. Além disso, a quebra da safra norte-americana de milho, provocada pela seca, reduziu a oferta de matérias-primas da ração. A falta de grãos tem um impacto muito forte, pois a alimentação responde por 75% dos custos do frango. "O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos previa uma safra de 360 milhões a 370 milhões de toneladas, mas a seca derrubou a produção e 30 milhões a 40 milhões de toneladas", explica. Assim, analisa, a exportação se tornou atrativa para o milho brasileiro, aumentando os preços internos, o que se agrava com as dificuldades logísticas.

Nunes classifica como inteligente a decisão da indústria nacional de cortar em 10% a produção. "Com essa medida, a indústria conseguiu evitar uma superoferta, que, com uma rentabilidade baixa seria absolutamente desastroso para o setor". O consultor salienta ainda que não existem medidas viáveis para a retomada imediata. É preciso aguardar a retomada do poder de compra da população mundial, puxada pela europeia, e a reposição dos estoques de grãos, nas próximas safras.

O aumento da produtividade e da eficiência é uma medida que ele recomenda como constante, de maneira a minimizar o impacto das variáveis que as empresas não controlam. "Os cortes de custos podem ser praticados imediatamente, mas dentro de um certo limite".

No cenário futuro da alimentação, Nunes observa que alguns fatores contribuem para uma mudança da dieta da população mundial, com uma tendência de ampliação do consumo de proteínas. "O frango é muito promissor, porque é uma proteína de qualidade, acessível e versátil. É um alimento rico e interessante; não tem, por exemplo, restrições religiosas e é de aceitação internacional", afirma. Por isso, ele estima que a produção deva crescer das 85 milhões de toneladas para algo em torno de 130 milhões em 2030 e 240 milhões de toneladas em 2050.

Para Fábio Nunes, o seminário internacional e a Escola de Processamento Avícola "são dois programas fantásticos para os profissionais da indústria da carne. São eventos ricos, que vão contribuir para colocar os profissionais na dianteira do negócio, transferindo uma bagagem de conhecimento, que pode ser revertido em benefício deles como profissionais e, indiretamente, às empresas", afirma.

A Escola de Processamento Avícola contará ainda com a participação de Marcos X. Sánchez-Plata, do Inter-American Institute for Cooperation on Agriculture/EUA.
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