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Quinta-feira, 03 de abril de 2025

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CLIMA É INCERTO

"É um ano delicado", diz presidente da Aprosoja-MT sobre possíveis problemas com chuvas e 'supersafra' de 100 mi de toneladas

Foto: Olhar Direto

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, apontou um 'conservadorismo' diante da estimativa da Companhia de Abastecimento (Conab) de que o estado pode produzir mais de 100 milhões de toneladas de grãos na safra 24/25. Caso o volume seja atingido, o estado deve permanecer na liderança da produção no país.


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Ao todo, o país deve produzir mais de 328 milhões de toneladas de grãos, sendo que o Centro-Oeste continua sendo o maior produtor. Os dados, disponibilizados no 6º levantamento de safra, apontam a previsão da produção de 100 milhões de toneladas.

De acordo com o presidente da Aprosoja-MT, somente para a soja, a expectativa é de que haja a produção de 46 milhões de toneladas. Já a safra de milho está estimada em mais de 45 milhões de toneladas. Apesar dos bons indicadores, Costa Beber afirmou que o excesso de chuvas pode causar uma redução no volume de produção.

"É claro que nós sabemos que, devido aos problemas de chuva, isso pode influenciar não só em descontos, como também em perda de peso. Ou seja, pode ser que tenhamos ainda ajustes nesses números. E já no milho, a previsão também é de pouco mais de 46 milhões de toneladas. Ou seja, ainda não chegaríamos aos 100 milhões.  Então, temos que ser conservadores e estar cientes que o milho, boa parte foi semeado fora da janela. E mesmo aquela área que costuma ser semeada mais cedo, sofreu atraso esse ano, decorrente do atraso na semeadura da soja e depois o excesso de chuva na colheita, que atrapalhou também os trabalhos de plantio do milho", disse.

Em contrapartida, o presidente da Aprosoja-MT reforçou a necessidade de que as chuvas sejam regulares durante o ano para que não haja uma quebra de safra. Dados do programa Aproclima, da Aprosoja Mato Grosso, apontam que municípios da região nordeste como Confresa, Matupá e Guiratinga, e da região leste, como Água Boa e Nova Xavantina, registraram mais de 22 dias sem precipitação e volumes acumulados abaixo de 130 milímetros.

No norte do estado, Confresa ficou até 27 dias sem chuva, prejudicando o desenvolvimento das lavouras justamente no período crítico. 

"Então, é um ano delicado. O clima, se correr normal, nós podemos ter quebra de safra. Ou seja, as chuvas devem se estender para que não tenhamos percas e se diminua ainda mais os números", explicou.

O presidente defendeu ainda a importância da Ferrogrão como eixo estruturante para o desenvolvimento logístico do estado. A ferrovia, que ligará o município de Sinop (MT) ao Porto de Miritituba (PA), deverá auxiliar no escoamento. A Ferrogrão é considerada uma das obras mais estratégicas do século XXI, fundamental para baratear os custos de transporte e viabilizar o crescimento da produção e da industrialização no estado.

Explicou ainda que, mesmo diante da alta produção de grãos, o estado possui um déficit de armazéns que traz dificuldades aos produtores rurais.

"É claro que o momento da nossa economia não está colaborando muito com isso, mas a Aprosoja também, agora no plano safra, pediu para que aumentassem os recursos de financiamento para armazéns para que o produtor possa minimizar cada vez mais essas perdas", ressaltou.
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