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Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

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Mato Grosso Clima e Mercado

Chuvas irregulares no início do plantio desafiam produtores na região sul de Mato Grosso

Foto: Mateus Dias / Aprosoja MT

Chuvas irregulares no início do plantio desafiam produtores na região sul de Mato Grosso
O nono episódio da quarta temporada do Mato Grosso Clima e Mercado, série produzida pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), acompanhou nesta terça-feira (09) a realidade da safra 2025/26 nos municípios de Rondonópolis, Juscimeira e Campo Verde. Os relatos colhidos em campo reforçam um cenário de chuvas irregulares, atrasos no plantio e preocupação com o desenvolvimento das lavouras e com a janela da segunda safra de milho.


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Em Rondonópolis, o delegado coordenador Valdir Ciomar Martini conversou com o representante da Agropecuária Guarita, o engenheiro-agrônomo Everton Mann Appelt. Ele descreveu um início de ciclo complicado. “Aqui na região foi bem estressante. Apesar do histórico de chuva sempre na mesma época, neste ano havia previsão, mas não vinha. Esta área foi a primeira que plantamos, tinha umidade e a soja nasceu bem, mas em novembro a chuva cortou de vez”, afirmou, ao relatar o impacto da estiagem sobre o estande.

Segundo Everton, parte das áreas não conseguiu avançar no ritmo esperado. “Tem uma parte das áreas que está bem atrasada, sofreu bastante, ficou bastante seca e não se desenvolveu como era para se desenvolver durante essa época.” Ele acrescentou que o atraso tende a afetar toda a estrutura produtiva da região, incluindo o milho segunda safra.

Valdir também avaliou a situação regional após o retorno das precipitações. “Hoje a chuva normalizou. Faz cinco dias que vem chovendo constantemente e dá para perceber que mudou o desenvolvimento da soja, até porque ela tem uma facilidade de recuperação muito grande. Espero que seja uma safra boa, porque já viemos de um ano difícil em que os produtores não fecharam a conta pelos custos”, destacou.

Em Juscimeira, o produtor Gabriel Berwanger relatou que o plantio enfrentou uma estiagem prolongada na área do núcleo de Jaciara. “O plantio foi um pouco complexo, com muito atraso devido à seca prolongada. No início de setembro houve algumas chuvas, mas logo cortou”, disse. A falta de água, combinada às altas temperaturas, reduziu o estande em cerca de 20%. “O atraso no plantio e a falta de chuva vão impactar muito a produção e a produtividade das áreas do município, devido ao estande ter ficado muito baixo. Sendo o estande um dos fatores de produção para se chegar a uma boa produtividade.” Ele ainda alertou que parte do milho deve sair da janela ideal de plantio.

Em Campo Verde, a delegada do núcleo, Vitória Cimadon, informou que o plantio começou com quase 30 dias de atraso. “Iniciamos em 20 de outubro, quando houve um volume bom de chuva, e fizemos um plantio acelerado para tentar garantir uma boa janela para o milho safrinha.”

O produtor Bruno Librelotto reforçou que o estande foi um dos fatores mais prejudicados. “Este ano foi bem atípico. Sofremos com a falta de chuva no começo do plantio. O estande ficou comprometido, com falhas e muitas plantas com ciclos diferentes, por causa do plantio e da umidade.” Ele também demonstrou preocupação com o milho. “Como já houve atraso no plantio, temos a perspectiva de que vai diminuir a área do milho, principalmente nas áreas mais arenosas.”

Vitória avaliou que o desempenho deve ficar abaixo do registrado na última safra. “A expectativa é de alguma redução comparada ao ano passado, quando a produção foi muito boa. A lavoura teve dias de estresse; as plantas emergiram, mas ficaram até dez dias sem chuva.”

O delegado coordenador do núcleo, Rafael Marsaro, detalhou que o município enfrentou condições muito distintas. “Verificamos duas situações em Campo Verde. Em algumas áreas, o plantio começou em setembro, mas outubro foi muito seco, muito difícil, e o estande ficou muito baixo. Já nas áreas plantadas em outubro, também há preocupação tanto com o estande quanto com a qualidade das lavouras. Isso deve gerar atraso e reduzir áreas na segunda safra.”

A série MT Clima e Mercado segue percorrendo as regiões produtoras de Mato Grosso, registrando os desafios enfrentados pelos agricultores e a recuperação das lavouras ao longo da safra 2025/26. O décimo episódio terá como foco os núcleos de Primavera do Leste e Paranatinga.

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