Olhar Agro & Negócios

Domingo, 26 de maio de 2019

Notícias / Capacitação

Escolarização profissional é o maior entrave do agronegócio, avalia Otávio Celidonio

Da Redação - Viviane Petroli

05 Nov 2016 - 15:13

Foto: Rafael Mazutti/Senar-MT

Escolarização profissional é o maior entrave do agronegócio, avalia Otávio Celidonio
A falta da escolarização profissional é o maior obstáculo da produção agropecuária se a análise for feita a longo prazo. Hoje, 53% dos analfabetos em Mato Grosso estão trabalhando no campo e até 2050 o Brasil precisa produzir 960 milhões de toneladas para atender a demanda imposta pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que estima uma população mundial de 9,3 bilhões de pessoas e uma demanda por alimentos 70% maior que a atual até lá.

A avaliação de que o problema é "maior" que a logística para o crescimento da produção agropecuária de Mato Grosso e do Brasil é do superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), Otávio Celidonio.

Estudos realizados pela FAO apontam que até 2050 o mundo terá uma população de 9,3 bilhões de pessoas e a demanda por alimentos irá crescer 70% e de energia 80%, além da demanda por água. A expectativa da Organização é que o Brasil supra 40% desse aumento da demanda por alimentos, o que significa, conforme Celidonio, que o país tenha que produzir 960 milhões de toneladas. "Hoje, não chegamos a 200 milhões de toneladas", comenta em entrevista ao Agro Olhar.

Para o Brasil atender a essa meta imposta pela FAO o superintendente do Senar-MT comenta que é preciso que a produção nacional cresça ao ritmo mato-grossense.

"Para atender as expectativas do mundo é realmente muito mais difícil do que parece. Não é tão simples assim e isso já traz uma perspectiva boa para o agronegócio em um longo prazo de preço e tudo o mais. Mas, por outro lado já é possível perceber que precisamos melhorar muita coisa e um dos pontos negativos que a gente avalia aqui é a educação profissional, é a gestão", salienta Celidonio.

Otávio Celidonio - Superintendente do Senar-MT (Foto: Assessoria)

Para Celidonio,  a "educação pode atrapalhar muito mais no cumprimento dessa meta da FAO". Ele destaca ainda que "Sem dúvida no longo prazo eu acredito fortemente que a educação é um fator de competitividade muito mais importante que a logística. Quer queira ou não a educação é que faz com que a gente tenha alguma gestão, que crie argumentos para a busca do que precisamos".

Hoje, cerca de 53% dos analfabetos em Mato Grosso estão no campo, enquanto que os mato-grossenses com curso superior somam aproximadamente 4%.

Em média, o número de treinamentos realizados pelo Senar-MT crescem 10% ao ano. A meta em 2017 é realizar cerca de cinco mil eventos. O portfólio da entidade conta com 250 treinamento, incluindo NR 12 (segurança no trabalho com máquinas e equipamentos) e NR 31.8 (segurança no trabalho na aplicação de agrotóxicos). Somente em 2016 cerca de 20 cursos foram lançados, além de projetos especiais.

"A educação profissional, para aquela pessoa que já está inserida no mercado, tem um papel ainda mais importante na nossa competitividade. A gente percebe também que a tecnologia ela já existe muito. Com a tecnologia que existe nós poderíamos produzir muito mais. Falta realmente mão de obra, falta preparo, não apenas para a mão de obra do dia a dia, até mesmo para o próprio produtor", afirma.

Cresce MT

Na próxima semana em Cuiabá ocorre a segunda edição do Cresce MT, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT). A “educação para um novo tempo” é o principal foco do evento que irá reunir palestrantes como José Pacheco, Clemente Nóbrega, Celso Antunes, Décio Zylbersztajn e Viviane Mosé, entre outros.

O evento será realizado no Cenarium Rural no dia 11 de novembro. A primeira edição do Cresce MT ocorreu em abril de 2015.

O objetivo do Cresce MT é fomentar as discussões sobre a importância da educação em todos os setores.

Segundo o Senar-MT, a ideia do encontro e palestras é tratar os novos modelos de educação, bem como a inovação, as novas tecnologias e o futuro da educação.

1 comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Agro Olhar. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agro Olhar poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • Octavio
    07 Nov 2016 às 22:36

    Sem dúvida, o analfabetismo e um dos maiores males do país, principalmente quando se trata dos setores básicos como a agricultura, por exemplo. Agricultura, entenda-se agronegócio, não se resume em cultivar, plantar e colher, como tradicionalmente o vulgo, o gentio entende. Já a algumas dezenas de anos a realidade é outra e o Brasil, como futuro celeiro do planeta, não pode prescindir da sua importância contextual, precisando urgentemente senão eliminar, pelo menos minorar a questão do analfabetismo criando mecanismo que possibilite ao "pião" entender que será preciso ler e entender, por exemplo, um manual de conservação de produto, as cotações de produtos nas bolsas, o manual da colheitadeira, as normas e técnicas de armazenagem, o painel eletrônico do silo, coisas simples assim, mas que se tornam inalcançáveis e impossíveis. Os políticos, por sua vez, tem de adequar-se a esta realidade e focar para os problemas estruturais do país, saírem do marasmo e da inércia obtusa que emperra o crescimento.

Sitevip Internet