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Sábado, 27 de novembro de 2021

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FAO defende tecnologia do agro brasileiro no combate à fome mundial

Sou Agro

27 Out 2012 - 08:53

O agro brasileiro deve compartilhar sua experiência a fim de contribuir para o combate à fome no mundo. A afirmação é do representante da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) no País, Hélder Muteia. “O Brasil é um dos poucos países que já cumpriu a meta do milênio de redução da fome, e conseguiu isso graças a políticas públicas de inclusão social e também, em razão, da aposta muito clara que fez na produção agrícola, no agro.”

Hoje, de acordo com a FAO, aproximadamente 868 milhões de pessoas passam fome no mundo, uma em cada oito. No Brasil, este número caiu de 23 milhões em 1990 para 13 milhões. Segundo Muteia, o Brasil tem papel fundamental no desafio de erradicar a fome mundial ao exportar sua tecnologia agropecuária para regiões como o sul da Ásia e a África Subsaariana. “Não só a tecnologia, mas também modelos de gestão, como, por exemplo, o cooperativismo agrícola.”

As cooperativas, ressalta Muteia, são um caminho eficiente na luta contra a fome e a pobreza justamente pela sua identidade solidária “de medir o resultado pela combinação entre lucro e papel social”. “A essência das cooperativas é o bem comum”, reforça. No Brasil, o cooperativismo envolve cerca de 18 milhões de pessoas e responde por 40% do PIB do agro do País.

De acordo com o dirigente da FAO, em 2050 a população do planeta chegará a nove bilhões de pessoas, dois bilhões acima da atual. “Para atender a demanda por comida, a produção mundial de alimentos terá que crescer no mínimo 60%”, diz Muteia.

Além do crescimento populacional, a escassez de terras agricultáveis e recursos hídricos, as mudanças climáticas, o fenômeno da urbanização – que impulsiona novos hábitos alimentares, com as pessoas comendo mais proteína, ou seja, carnes – são fatores que pressionam por mais produtividade.

E estes ganhos, pontua Muteia, terão que vir de inovação e expansão tecnológica, que podem ser, por exemplo, através da biotecnologia. “A FAO não tem nenhum documento com restrições aos transgênicos, seu uso deve ser guiado pela ciência.” Na luta contra a fome, o representante da FAO alerta também para necessidade de se reduzir o desperdício de alimentos, e na esfera político-econômica critica os pesados subsídios dos países ricos, recomendando a abertura do comércio agrícola internacional.

Jovens no campo

No que diz respeito à oferta de alimentos, além da questão tecnológica, Muteia chama atenção para o fato de que em 2020 mais pessoas viverão nas cidades do que no campo. “Em 2050, só 30% da população viverá no meio rural”, afirma, para, em seguida, indagar: “e quem estará no campo para produzir alimentos?”

Segundo ele, é imprescindível o investimento em políticas públicas e iniciativas que estimulem e deem motivos para que os jovens fiquem no campo. “Os melhores, mais bem preparados devem permanecer, porque serão eles os mais capacitados a produzir. Caso contrário, comeremos comida de má qualidade.”

Para o dirigente da FAO, será preciso dar condições – telecomunicações, internet, educação, saúde – para que estas pessoas continuem, voltem ou migrem para o meio rural. “E teremos que apostar fortemente na profissionalização da produção, incentivando a agroindústria.”
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